Como precificar pratos corretamente (fórmula e exemplos)
A fórmula para precificar pratos sem achismo: do custo da ficha técnica ao preço de cardápio, usando o CMV-alvo do seu segmento.
Neste artigo
- Por que não copiar o preço do concorrente
- A fórmula da precificação
- Exemplo prático
- Passo a passo
- CMV-alvo por tipo de negócio
- Erros comuns na precificação
- E o valor percebido?
- Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre markup e CMV-alvo?
- Preciso ter ficha técnica para precificar?
- Com que frequência revisar os preços?
"Quanto eu cobro por este prato?" é a pergunta de um milhão de reais do food service. E ela tem resposta matemática — não achismo, não "olhar o concorrente".
Neste artigo você aprende a precificar pratos corretamente partindo do custo real e do CMV-alvo do seu negócio.
Por que não copiar o preço do concorrente
O preço do vizinho embute o custo, a margem e os erros dele. Copiar o preço sem conhecer o próprio custo é copiar o prejuízo do outro. A precificação começa dentro da sua cozinha, com a ficha técnica.
A fórmula da precificação
O caminho mais confiável parte do custo e do CMV-alvo:
Preço de venda = custo da porção ÷ CMV-alvo (em decimal)
O CMV-alvo é a fatia do preço que você aceita gastar em insumo. Se a meta é 32%, use 0,32.
Exemplo prático
Um hambúrguer com custo de porção de R$ 12,40 e CMV-alvo de 32%:
- R$ 12,40 ÷ 0,32 = R$ 38,75
- Ajuste de cardápio: R$ 38,90 (ou R$ 39,90, conforme o posicionamento)
Simples assim. O difícil é conhecer o R$ 12,40 — por isso a ficha técnica vem antes.
Passo a passo
- Calcule o custo da porção na ficha técnica (com fator de correção).
- Defina o CMV-alvo do segmento (veja a tabela abaixo).
- Divida o custo pelo CMV-alvo.
- Ajuste para um número comercial e coerente com o posicionamento.
- Revise sempre que o insumo mudar de preço.
CMV-alvo por tipo de negócio
| Segmento | Faixa saudável |
|---|---|
| Cafeteria | 25% – 30% |
| Pizzaria | 28% – 32% |
| À la carte | 28% – 33% |
| Hamburgueria artesanal | 30% – 34% |
| Self-service / kg | 33% – 38% |
Use como ponto de partida. O número que importa é o seu, prato a prato.
Erros comuns na precificação
- Esquecer insumos pequenos (azeite, guardanapo, embalagem de delivery) — eles somam.
- Ignorar o fator de correção e subestimar o custo real.
- Precificar uma vez e nunca revisar — o custo de janeiro não é o de julho.
- Focar só no preço, sem olhar a margem de contribuição de cada item.
E o valor percebido?
A fórmula garante o piso (abaixo dele você tem prejuízo). Acima do piso, o valor percebido — apresentação, história do prato, experiência — permite cobrar mais. Precificar bem é unir matemática e percepção.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre markup e CMV-alvo?
O markup é um multiplicador sobre o custo; o CMV-alvo parte da meta de custo. Ambos chegam ao preço, mas o CMV-alvo conversa direto com a saúde financeira do prato.
Preciso ter ficha técnica para precificar?
Sim. Sem o custo real da porção, qualquer preço é chute.
Com que frequência revisar os preços?
Sempre que os insumos principais mudarem. Reveja o cardápio pelo menos a cada trimestre.
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